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...bem vindo a porta que te levará a viajar comigo; que te fará meu companheiro(a) em cada nova aventura... e história nas antigas; venha, vamos juntos conhecer o mundo... Andarilho.

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Rolim de Moura, Rondônia, Brazil
...Motociclista aventureiro, apaixonado pela vida e pela liberdade... ...Antonio o Andarilho; é natural de Dourados –MS, tem 42 anos; autodidata em moto turismo; é otimista, prega e tem por objetivo: viver a vida intensamente com responsabilidade; preza pela direção defensiva e responsabilidade no trânsito, é disciplinado e adora desafios; membro das redes: Brazil Rider's, AME-BR e Irmandade Sem Fronteiras ; fundador e membro ativo do Moto Grupo Expedicionários da Amazônia; também membro da Iron Butt Association, Iron Butt # 45.581 do mundo; não é apegado a bens materiais; vive em Rolim de Moura –Rondônia -Brasil, com sua esposa e dois filhos menores; ex militar do Exército, atualmente comerciante; possui vasta experiência em viagens de curto, médio e longo alcance; e tem prazer em planejar, organizar e executar expedições, viagens e passeios; sempre muito bem acompanhado por sua fiel companheira "Sarita", sua Nx 350 Sahara 1999, a qual possui e viajam juntos a muitos anos; conhecedor da mecânica básica de motos; fala espanhol; e possui curso e estágio de 1ºs socorros e sobrevivência do Exército Brasileiro. Informações e contato; e-mail: andarilhoexpedicoes@gmail.com

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Expedição Machu Picchu; 5º dia-06 de julho de 2008

Depois de quase 10 anos encontrei meu caderninho com nosso diário de bordo e então estou postando...
Levantamos às 06:00 h; fomos até a bica de água gelada, lavamos o rosto, escovamos os dentes; e aí sim vimos onde estávamos; pois havíamos chegado ali já a noite. O lugar era lindo; um vale, cercado de montanhas de ambos os lados, ainda coberto de verde. O café da manhã servido aos caminhoneiros era um caldo de frango; que não conseguimos encarar. Eu tinha visto um cacho de banana de fritar pendurado na escada que ia para os quartinhos; então pedi para a senhora fritar algumas bananas daquelas pra gente. Ela nos serviu banana frita com café; estava bem melhor que o outro cardápio. Então partimos para as motos. As motos dormiram num pequeno terreirão para secagem de café, que também serve como calçada do restaurante rural. Ali mesmo o Roberto desmontou minha moto. O filtro de ar estava muito sujo; por isso a moto não andava mais. O Roberto limpou o filtro e diminuiu o giclê de alta do carburador, trocando o 132 por um 128. O giclê 132 que estava na minha foi para a moto do Roberto, que estava com o original, o 150. Lubrificamos as correntes, arrumamos a bagagem e tiramos algumas fotos com nossos novos amigos, para seguir. Nesse momento chega um caminhão de combustível, lotado de gente em cima. Imagina um caminhão de combustível carregando pessoas naquela estrada; muito louco. Pararam ali para tomarem o café da manhã; e logo se encantaram com a gente e nossas motos, bem como com toda essa aventura. Um deles estava muito mal, com uma alergia muito grave; como tínhamos levado vários remédios; inclusive antialérgico, medicamos o homem ali mesmo; o que só estreitou ainda mais os laços daquela amizade instantânea e passageira, mas que valeu muito a pena. Ali conversando com eles ficamos sabendo que estávamos a 25 km de Marcapata. Bem longe por ser cordilheira e a estrada ainda ser de terra. Na hora de pagar toda a despesa: jantar, bebidas, hospedagem e café da manhã; o “Claro” nos disse que tinha dado 08,00 soles, tudo. Vejam bem, em real daria como R$ 5,00; mesmo em 2008, isso era muito barato. Então o Roberto deu $ 15,00 soles e eles ficaram muito felizes, e nós também. (Nota: sempre que vou ao Peru, passo nessa casa visitar essa família que nos acolheu naquele dia em 2008; e para nossa tristeza ficamos sabendo que o nosso antigo anfitrião, o “Claro” foi atingido por uma queda de barreira na estrada e veio a falecer; creio que em 2012.) Enfim seguimos para Marcapata; as motos realmente ficaram boas novamente. Nesse trecho cruzamos vários riachos; mas um deles era muito violento; tanto que tivemos que passar um de cada vez, com o outro atrás ajudando; com água gelada até o joelho mesmo. Chegamos a Marcapata, cidade pequena, tradicional andina; mas não encontramos gasolina. Era domingo e as pessoas dali que vendiam gasolina em casa mesmo, não estavam em casa; deviam estar passeando nos arredores. Então sabendo do paradeiro de uma senhora que vendia gasolina, contratamos o mesmo menino que nos informou onde ela morava, para ir de bicicleta até a casa onde ela estava, avisar que tinha gente precisando de gasolina. Deu certo, a senhora apareceu para abastecer as motos; foi no balde e funil mesmo. No Peru a unidade de medida é o galão, ou seja 3,6 l. Ela nos perguntou quantos galões; ferrou... como iriámos saber... cheio, enche aí. Há sí full, lleno. E ai aprendemos a falar “pleno”, toda vez que nos perguntam quantos galones. Depois de algumas fotos, fomos subindo devagar rumo a parte mais alta da cordilheira nessa rota, a Igrejinha a 5.100 m.s.n.m.; em Marcapata estávamos a 3.100 m.s.n.m. Fomos subindo tipo ziguezague aquela imensa montanha, como se fosse uma escada em caracol. A vegetação e a própria cordilheira mudaram radicalmente. Avistamos picos com neve, passamos entre lhamas, vimos muitos currais de pedra, herança ainda do povo incaico, mas sendo utilizados até hoje; altitudes de tirar o fôlego, e as motos sempre subindo. Aumentou as montanhas nevadas a nossa volta, e o frio também. Quando avistamos a famosa Igrejinha, foi muita emoção; pois havíamos concluído a subida, que seria a parte mais difícil. Paramos na Igrejinha; fizemos muitas fotos, neve bem ali em volta, no termômetro do relógio do Roberto marcava -1°C; era muito frio mesmo. Mas a emoção de estar ali nos fazia suportar o frio intenso. Vimos um caminhoneiro parar seu caminhão e entrar na pequena igreja para fazer sua prece, e creio também agradecer a Deus por tê-lo protegido até ali. Dentro da igrejinha estava bem quentinho, pois havia muitas velas acesas; mas precisávamos seguir, porque a noite já chegava. (Nota: Essa Igrejinha que cito aqui, fica paralela ao que hoje é a Abra Pirhuayani; antes do asfalto a estrada não era ali onde é hoje; e passava dos 5.000 metros; então encontraram um lugar mais baixo para fazer a estrada nova. A estrada antiga de terra e a Igrejinha existem até hoje; e é possível passar por lá ainda nos dias de hoje. ) Começamos a descida já anoitecendo. Depois de algum tempo descendo, chegamos no asfalto; estava novinho, sinalização impecável. A velocidade aumentou e o frio também. Paramos numa vila, abastecemos as motos e aumentamos nosso agasalho. Seguimos rumo a Cusco passando por Ocongate e outras vilas mais. A sensação térmica devia ser de -2°C, era muito frio mesmo; nosso equipamento aguentou bem o frio, com exceção das luvas. O frio nas mãos, principalmente nas pontas dos dedos era cortante. De vez em quando parávamos para aquecer as mãos no motor da moto, para aliviar um pouco aquele frio louco. O Roberto havia levado aquelas luvas cirúrgicas para usarmos embaixo da nossa luva de inverno; mas não funcionou; muito pelo contrário; como elas são impermeáveis, e não deixam a pele respirar; foi juntando uma fina camada de suor ali dentro, mesmo no frio, que com a temperatura de fora, começou a congelar; nossos dedos doíam tanto que ficaram dormentes; até que desconfiamos do que estava acontecendo e as tiramos na hora; em seguida aquecemos as mãos no motor da moto, recolocamos as luvas e seguimos. (Nota: Definitivamente as luvas cirúrgicas não são boas para segurar frio. Não as use. ) Chegamos à Cusco meia noite; fomos direto à Praça das Armas, lugar fabuloso; perto dali encontramos um hotel com garagem para as motos, o Hotel Casa Grande. Estacionamos as motos e tomamos um mate de coca para aliviar os efeitos do frio e da altitude. Impressionante, mas não sentimos nada de mal da altitude estando ali. Em seguida fomos a um restaurante chique em frente ao hotel, que já estava praticamente fechado; mas o Wilson, um dos funcionários responsável por fechar o restaurante, sabendo da nossa situação, nos serviu um chocolate quente antes de ir embora. Estávamos tão cansados que nem tiramos toda a bagagem das motos; tomar banho então, nem pensar... segundo dia sem banho. Apagamos.






 Roberto escovando os dentes na bica gelada

 Local onde dormimos, 25 km antes de Marcapata

 Higiene total, só não tomava banho kkkkkkk

 Nosso "hotel"







 Estrada do Pacífico

 O sol dando o ar da graça na cordilheira

 Hora da manutenção e diminuição dos giglês

 Carburador da Sarita




 O homem da alergia










 Senhor observando o Roberto mexer na moto




 Subindo para Marcapata

 Vale onde dormimos













 Passagem de água

 Maracapata

 Aqui foi nosso primeiro contato com as vestimentas típicas do povo da cordilheira


 Cavalo peludo, adaptado para o frio
















 Aguardando a senhora para abastecer as motos

 Por conta desse atraso de várias horas, chegamos a noite em Cusco




 Enfim a gasolina

 Engenheiros brasileiros na construção da estrada

 Dois policiais de Marcapata

 Plaza de Armas de Marcapata

 Igreja de Marcapata


















 Roberto e o amigo que queria tirar uma foto conosco; ele estava mamado




 Subindo a cordilheira em degraus rumo à "Igrejinha"

 Alto e muito frio

 Enfim a Igrejinha

 5.100 m.s.n.m. (Nota: na época diziam que era essa altitude, hoje tenho minhas dúvidas; ainda vou passar lá com meu GPS para confirmar)

 Dentro da Igrejinha estava bem quentinho







 Vista ao longe do Nevado Ausangate

 (Nota: a Abra Pihuayani 4.725 m.s.n.m. onde passamos hoje, esta na encosta dessa montanha, do lado de lá; de frente para o Nevado Ausangate que aparece ao fundo com seus picos nevados)







 Aqui estava muito frio mesmo










 Em Tinki, colocando mais agasalhos para amenizar o frio intenso

Abastecendo em Tinki 


 Em Cusco na Hospedaje Casa Grande

Aquela bagunça básica de quarto de motociclista


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